corpo transparente
Max Blecher

R$25.00

Título  Corpo transparente
Autor  Max Blecher
idiomas romeno – português 
Tradução do romeno Fernando Klabin
Ano 2016 1ª edição
Nº de páginas 56
Acabamento brochura | papel pólen bold
Dimensões 12 x 19 cm
ISBN 978-85-69577-26-3
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Descrição

De repente, de modo intempestivo, pequenos rompantes sutis, delírios rítmicos, cores em pizzicato nos acometem de um estranhamento de outra monta que não o choque, micro-deslocamentos vão nos entretecendo em algo outrora frívolo, uma ingenuidade tão despretensiosa que desbarata qualquer pedantismo do entendimento, deslocando o tom que tínhamos ali a mão, tão certeiro, da realidade que tínhamos ali, tão imediata.

Como nessa imagem da morte envolta em tamanha ternura
lúdica, sem se deixar levar pelo irônico mordaz:

“[…]
Navios como cabeças de afogados com o cigarro
ainda na boca
Sonhando, flutuam fumando rumo a Istambul
À beira-mar, as pessoas como suicidas salvos da
morte
Sonhando, passeiam fumando ao entardecer”

Caio Russo [prefácio]

PE ŢĂRM
Iată ce vei vedea la mare
Vapoarele ca nişte capete de înecaţi cu ţigara
                                              încă în gură
Visând, fumând plutesc spre Istambul
Pe ţărm oamenii ca nişte sinucigaşi scăpaţi de la
                                              moarte
Visând, fumând, se plimbă pe-nserat
À BEIRA-MAR
Eis o que verás no mar
Navios como cabeças de afogados com o cigarro
                                              ainda na boca
Sonhando, flutuam fumando rumo a Istambul
À beira-mar, as pessoas como suicidas salvos da
                                            morte
Sonhando, passeiam fumando ao entardece

AMOR FALENĂ
Amor falenă a porturilor negre
Lumină parfumată a tropicelor vaste
Gând lung şi lin de rază, chinuitor ca marea
Şi orizontu-n flăcări închis ca o capcană

Amor urban de umbre pe străzi cu reverbere
Cu vorbe tăinuite în moarte-nmormântate
Cu răsfoiri încete de-albume inutile
Amor de după-amiază în vagi odăi închise

Amor cu miros aspru de lut şi de sămânţă
Sub ierbile cât calul, în vara grea de grâne
Amor plâns în batiste sau râs domol în soare
Cu piele albă fină sau mâini îmbătrânite

Amor reţea a lumii în care prinşii oameni
Dansează ca paiaţe serioase şi nebune.

AMOR MARIPOSA
Amor mariposa dos portos negros
Luz perfumada de vastos trópicos
Pensamento largo e brando de raio, aflitivo como o mar
E o horizonte em flamas vedado como uma armadilha

Amor urbano de sombras em ruas reverberantes
De falas secretas sepultas na morte
De folheadas lentas por álbuns inúteis
Amor vespertino em vagos quartos fechados

Amor com um cheiro áspero de barro e de sêmen
Sob a grama da altura de um cavalo, no verão farto
Amor chorado em lenços ou sorrido suave ao sol
De pele alva e fina ou mãos envelhecidas

Amor teia do mundo em que os cativos
Dançam como palhaços sérios e loucos.

GÂND
Mâinile tale pe piano ca doi cai
Cu copita de marmură
Mâinile tale pe vertebre ca doi cai
Cu copita de trandafiri
Mâinile tale în azur ca două păsări
Cu aripi de mătase
Mâinile tale pe capul meu
Ca două pietre pe un singur mormânt.

PENSAMENTO
Tuas mãos no piano como dois cavalos
Com casco de mármore
Tuas mãos nas vértebras como dois cavalos
Com casco de rosas
Tuas mãos no azul como dois pássaros
Com asas de seda
Tuas mãos na minha cabeça
Como duas pedras no mesmo túmulo.

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