O crime
Alexandre Borella Monteiro

R$15.00

Título O crime
Autor  Alexandre Borella Monteiro
Edição  Wellington Souza
Capa e projeto gráfico Wellington Souza
Diagramação Jéssica Araújo
foto de capa Dylan_Payne [flicker.com]

Ano 2018 1ª edição
Nº de páginas 374
Acabamento brochura | papel pólen bold
Dimensões 14x 21cm
ISBN 978 85 69577 69 0

Categoria

Descrição

PRÓLOGO

E Geovane foi demitido. Passou a procurar emprego. A distribuir seu currículo por outras construto-ras, mas o momento era de retração na economia. Ninguém queria contratar. As empresas estavam se dando por felizes em não precisar demitir. Passou até a procurar trabalhar por conta, em obras particulares, mas nes-se caso, as pessoas também cada vez mais cautelosas, estavam evitando gastos. Muitos preferiam guardar dinheiro nesses casos e evitavam riscos. Assim, era cada vez mais difícil encontrar alguém iniciando alguma obra. E quando encontrava, dificilmente estas pessoas estavam dispostas a pagar o preço de ter um mestre de obras. Quando estava pensando em trabalhar como pedreiro mesmo, pois ganhar menos era melhor que não ganhar nada, algo inesperado aconteceu.

Janete Gomez, na sexta-feira da semana anterior, tocou a campainha da casa de Geovane. Ele e a es-posa estavam em casa, pois já passava das 19:00. Ele tinha acabado de retornar de mais uma peregrinação em busca de emprego, e estava sentado na sala de casa, de cabeça baixa, lendo os jornais. A casa era de alvena-ria, bege por fora, com
janelas marrons. Ele mesmo a construíra. A sala onde estava era ampla, com a cozinha formando uma peça só separada por uma bancada. Estava sentado em um sofá retrátil de dois lugares. Havia um condicionador de ar na a cima da janela do lado direito de quem entrava. Geovane era baixo, de porte mediano, com cabelos começando a ficarem grisalhos, apesar de ter apenas 30 anos. Mas era genético. Va-nessa estava sentada ao seu lado. Havia acabado de contar como tinha sido seu dia na escola, a final é pro-fessora. Ele sempre escutava o que ela contava com atenção. Não só por que era educado, mas por que real-mente se interessava pelos acontecimentos narrados por sua esposa. Depois de cinco anos de casamento, ad-mirava-a cada vez mais. E esse sentimento era recíproco. No entanto, isso o deixava constrangido, pois sentia que devia contribuir para o sustento da casa. Não que achasse que fosse obrigação do homem manter a casa, pois não via com esses olhos a divisão de tarefas entre homens e mulheres. Mas achava sim humilhante o fato de deixar tudo nas costas de sua esposa. Julgava-se um inútil. Foi quando a campainha tocou.

[CONTINUA]

Capitulo 1

Anos eleitorais vêm e vão, mas quase tudo se repete. Nada muda. Quando vai passando o tempo, os meses vão escorrendo, vai chegando o dia do pleito algumas pessoas vão ganhando importância. Para as pes-soas comuns, as personagens principais nas campanhas eleitorais são os políticos. Os candidatos, com seus discursos, suas propostas e principalmente, suas mentiras. Mentiras que as pessoas anseiam por ouvir, mesmo sabendo que são isso, mentiras. Mesmo sabendo que seu candidato não irá cumprir nada do que prometer, todo o eleitor quer ouvir. E achar que aquela pessoa em que irá votar será diferente. No entanto, essas pesso-as não são as mais importantes em uma campanha eleitoral. Em muitos casos, elas são as menos importantes.
As principais personagens das eleições, muitas vezes sequer aparecem. São aqueles que mexem com números. Com aquilo que compra muitos objetos, consciências e pessoas. Que mexem com o dinheiro, o obje-to mágico das campanhas eleitorais. É ele quem ajuda a decidir quem ganha e perde, por inúmeros motivos. Os partidos que conseguem arrecadar mais dinheiro, conseguem produzir mais material. Conseguem produzir melhor sua campanha por meios de comunicação de massa, como rádio, televisão, propagandas em periódi-cos, etc. Com o dinheiro arrecadado, podem cruzar o país para falar de perto aos eleitores em potencial. Mas o mais importante: podem comprar o voto daqueles que precisam de uma “ajudinha” para se decidirem em quem depositar sua confiança. E são essas pessoas que conseguem driblar a vigilância constante dos órgãos responsáveis por fiscalizar a arrecadação dos partidos para as campanhas eleitorais. Fazer o famoso “caixa dois” é uma verdadeira arte. Não deixar rastros. Os que conseguem burlar melhor as legislações de doação de dinheiro são mais valorizados. São os tesoureiros dos partidos e toda a sorte de arrecadadores de campanhas e marqueteiros.

[continua]

Epílogo
Quem pensou, no entanto, que a eleição havia acabado, se enganou e muito.
Deoclécio Terra não aceitou o resultado. Primeiro, acusou que houve fraude nas urnas.
Vera Cruz é um dos países que usa sistema informa-tizado para contabilizar os
votos, de modo que no mesmo dia, já se fica sabendo quem venceu o pleito. Não tendo
sucesso nesta empreitada, decidiu então atacar o tribunal eleitoral. Questionou o
fato de somente te-rem liberado o resultado parcial três horas depois de encerrada a
votação. Com isso, quando as pessoas viram a primeira parcial, ele já não estava mais
liderando. No entanto, o tribunal respondeu dizendo que isso se de-ve ao fato e o país
ter mais de um fuso horário, o que poderia ocasionar de pessoas irem votar em algum
lugar do país, já tendo o resultado parcial. No entanto, a militância de Deoclécio,
ajudada pela imprensa marrom continuaram batendo na tecla de duvidar do sistema
eleitoral. O candidato da oposição ainda questionou os gastos de campanha e as
contas da Chapa Jorge da Silva e Ramon Quadrado, acusando abuso de poder eco-
-nômico. Fato esse que seria julgado pela Corregedoria Nacional de Justiça, depois
de arquivada pelo tribunal eleitoral. E no dia da diplomação, Sergio Nunes, faria seu
pronunciamento final sobre as eleições presidenci-ais e sobre os acontecimentos de
corrupção envolvendo a Petrocruz.

[continua]

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