tranco cabelo, cai um raio
Gabriela Clara Pignataro

R$35.00

Título  Tranço cabelo, cai um raio
Autor  Gabriela Clara Pignataro
Tradução.  Marcus Groza
Ano 2018 1ª edição
Nº de páginas 68
Acabamento brochura | papel pólen bold
Dimensões 14 x 23cm
ISBN 978 85 69577 52 2

Descrição

“Tranço cabelo, cai um raio” é uma seleção de alguns poemas de Gabriela Pignataro que foram publicados em seus livros anteriores. As escolhas do tradutor referentes aos poemas que seriam publicados e a organização destes são admiráveis porque constróem, como uma trança – do topo da cabeça até o fim, que é soltura (e, portanto, interpretação do leitor) a relação criada no título do livro, entre a Gabriela e todas as coisas a sua volta.

não preciso
mover as pedras:
sou a montanha
compacta por fora
líquida por dentro.

A Gabriela olha para fora (para a montanha, para o rio, para as pessoas) para olhar para si mesma e vice-versa: tranço cabelo, cai um raio.
Além desta ideia de união com a natureza, que pode determinar um tipo de vida diferente do que a modernidade nos impõe, Gabriela pensa o tempo e sua relação com ele: um eterno rebobinar pela angústia do amanhã.

Mas, apesar do tempo, que aprisionamos no relógio e em recordações, diferente dos elementos da natureza que podemos de alguma maneira tocar, Gabriela é soltura e sabe disso:

sou substantivo
do que não se pode apropriar 

Fiquemos, então, nesse movimento de tranças, sobrepondo elementos até o fim da leitura.

Lubi Prates [prefácio]

Sudestada
Salí
a cortar los campos
llené la casa de flores
no necesito
mover las piedras
para traer hacia mí
la montaña,
el sólo traspaso
de los cuerpos
modifica la fisonomía
del paisaje

No intento alterar
la dirección del sembrado
para cambiar la cosecha
puedo extraer
el deseo de raíz
y trasplantarlo
en la tierra que yo elija

No me es preciso
mover las piedras:
soy la montaña
compacta por fuera
líquida por dentro
no estoy sobreviviendo
me muevo
sobre el tiempo
como el magma
potencia de fuego,
protege el cristal
hasta la ruptura
que descubra
el brillo necesario
para correr de noche
sobre el suelo ácido
del río
sin lastimarnos

La sudestada
fué una cachetada
somos un barrio
encendiendo sus luces
para ver la tormenta
que lavará el hielo
y la sangre
en la entrada
de nuestras casas

Salí a cruzar los campos
un coyote me comió
ahora escribe
sacudièndose el polvo
del desierto
mientras
el vapor de la ducha
lo inunda todo,
dejo de escuchar mi forma
para ser
el anillo cayendo en el volcán,
mi perro ladrándole
a las noticias en la radio.

Sudestada
Saí
a cortar os campos
enchi a casa de flores
não preciso
mover as pedras
para trazer até mim
a montanha
o simples transpassar
dos corpos
modifica a fisionomia
da paisagem

Não pretendo alterar
a direção da semeadura
para mudar a colheita
posso extrair
o desejo de raiz
e transplantá-lo
para uma terra
da minha escolha

Não preciso
mover as pedras:
sou a montanha
compacta por fora
líquida por dentro
não estou sobrevivendo
me movo
sobre o tempo
como o magma
potência de fogo
protege o cristal
até a ruptura
que descubra
o brilho necessário
para correr de noite
sobre o solo ácido
do rio
sem nos ferir

A sudestada
foi uma cacetada
somos um bairro
acendendo suas luzes
para ver a tormenta
que lavará o gelo
e o sangue
na entrada
de nossas casas

Saí a cruzar os campos
um coiote me comeu
agora escreve
sacudindo a poeira
do deserto
enquanto
o vapor do banho
o inunda todo
deixo de escutar minha forma
para ser
o anel caindo no vulcão
meu cachorro latindo
para as notícias do rádio

ADN
Amaso pan
con mis torpes
y modernas manos
amaso el pan
como otros lo han hecho
Y otros lo harán

Hay algo
en la repetición
que me cura

Amaso pan
y me siento parte de algo
mucho más grande
mi nombre no se relame

Soy sustantivo
de lo que no puede apropiarse

Una chica
con las manos llenas de harina

ADN
Amasso pão
com minhas torpes
e modernas mãos
amasso o pão
como outros o fizeram
e outros o farão

Há algo
na repetição
que me cura

Amasso pão
e me sinto parte de algo
muito maior
meu nome não se relambe

Sou substantivo
do que não se pode apropriar

Uma moça
com as mãos cheias de farinha

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Gabriela Clara Pignataro

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