Vasto Trovarr
Clarissa Loyola Comin

R$35.00

Título Vasto Trovarr
Autor  Clarissa Loyola Comin
Ano 2018 1ª edição
Nº de páginas 70
Acabamento brochura | papel pólen bold
Dimensões 16 x 21cm
ISBN 978 85 69577 75 1

Descrição

Seu paletó caiu pelo ombro, dorso no encosto, quatro mãos ao carpet mofado catando poeira em uma franquia Pathé & inc. Plena noite de verão e jaboticabas fervem na lembrança de um lugar esquecido. É preciso esquecer. Volto à tela e torço pela menina de papel, presa na película; torço para que ela se torne menina de verdade. Um estranha guerra de legendas sem tecla SAP. Você é muito preguiçosa! O que custa olhar para a tela e puxar meus lábios ao mesmo tempo? Se fosse proibido beijar alguém aqui havia de ter graça… vocês se odeiam, se cospem na cara, se tratam pior que manequim e dona de tenda!

 [texto de contra capa]

“Ostentavam, escritos em suas frontes: o nome dele e de seu Pai.
Ouvi um som do céu, como o barulho de um temporal e o estrondo
de um grande trovão.”
Apocalipse

“Eu despertei de todo – como no instante em que o trovão não
acabou de rolar até o fundo, e se sabe que caiu o raio…”
Grande sertão: veredas

“Bababadalgharaghtakamminarronnkonnbronntonnerronntuon
nthunntrovarrhounawnskawntoohoohoordenenthurnuk”
Finnegans Wake

“Marventoso em celamor soçobra a vela de alguém na azul esfera,
e eis que o desespero tudo engolfa trovão e porvir de primavera.”
Velimir Khlébnikov

SLIDE 0 – BOITEMPO

Várias caixas de sapato furadinhas, tantas quanto as letras do ABC:
cajueiros mangueiras sapotis pedrinhas coloridas exoesqueletos de
joaninhas e a linha do trem. O maldito barulho barateava tudo,
só muito combalido para topar aquilo como castelo, mas foi por
lá que dei meus primeiros engasgos, passos e murros. O resto é
história sem agá. Madrecita, tan mirradinha de dar dó, não sei
como suportou tanta porrada. Qual o caminho entre suas vísceras
e meu fórcepcizado choro afônico, audito apenas pela caixa de
vidro aquecida? Sei que ela voltou do hospital de mãos abanando,
se sentiu órfã, como os cajus órfãos de suas castanhas; me dava
uma dó imensa, aquelas frutas lentas, arrastadas pelos bicos de
aves imundas, pelas areias molhadas que primeiro receberam meus
hieróglifos. Desde aquele tempo eu pedia demais da realidade.
Certa feita, fiz que quis escrever paralelepípedo. Ouvi no rádio
que uma doméstica havia sido nocauteada por uma destas pedras.
Mamãe, paciente, segurou na minha mão e desenhamos no meio
dos cajueiros essas garatujas tortas:
PPPPP —– aaAaaaa —– rEerrEE —– LELelelel —– PIPIPIPI —– deod
Depois, foi acusada pela vizinhança de cúmplice do assassinato;
está louca? Ensinando violência pra filha comer? E se não digerir?
Prisão de ventre?! Prisão era aquele dia-a-dia no escuro do útero,
o resto só podia ser liberdade.

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