breves delirios
victor toscano

R$35.00

Título  Breves Delírios
Autor Victor Toscano
Ano 2018 1ª edição
Nº de páginas 88
Acabamento brochura | papel pólen bold
Dimensões 14 x 21cm
ISBN 978 85 69577 56 0
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Descrição

A dos Cem Anos

Essa guerra já é especial somente pelo tempo que durou. Que seja breve a paz, diz o filósofo. E eu concordo.
Sou Roddrick, o mais atrapalhado dos Plantageneta. Minha missão é assassinar Joana D’Arc antes que ela chegue a Órleans. Entro disfarçado de mulher no castelo de Iolanda de Aragão. Há muita dança e comida. Joana D’Arc, vestida de homem, me tira para dançar.
Ela fala mal dos ingleses e tem uma risada encantadora. Ponho cicuta em sua cerveja. De repente, um soldado bêbado a acusa de cross-dressing, e ela atira a bebida na cara dele. Em seguida, sou eu o acusado de me travestir. Descobrem que sou um inglês infiltrado e me conduzem à degola; mas antes, pedem que eu ponha uma roupa de homem.

– a dos  cem anos  |  conto

O zumbido de Victor Toscano
A noite no Recife é quente e fresca ao mesmo tempo. Como tudo na cidade, ela é uma coisa e também o seu contrário. O centro é bonito e horroroso; a praia é paradisíaca e repleta de predadores; as pessoas são simpáticas e imbecis. Também Victor Toscano é uma coisa e o seu contrário.
“Vou tocar a última da noite”, ele diz a um público desatento e de olhos vidrados. Mas quando bate de mau jeito na boca do violão faz o microfone estourar. De repente, todos aqueles anos escutando música alta nos headphones se condensam nos tímpanos, que por fim dizem Chega.
Enquanto bebe com os amigos depois da apresentação escuta o ouvido esquerdo dar início a sua carreira solo. Um zumbido que parece ter origem no centro do cérebro e se alastra pelo cordão do ouvido esquerdo se mescla com o burburinho do bar e tilintar de copos. “Vocês também tão ouvindo isso?” Procura por caminhões de lixo que talvez passem ou sinaletas de garagem que soem distantes. Todos olham-no sem entender. Pode ser a bebida. Põe o copo de volta na mesa. No andar de cima do bar alguém paga um real pela canção Good Vibrations. Ele levanta-se e vai, coçando o ouvido, até o banheiro.

O ensino da escrita e os autores
De uma forma ou de outra sempre houve oficinas literárias. Acredita-se que até o Homem de Cro-Magnon teve uma pintura rupestre criticada em sala de aula. Não apenas a narrativa era clichê (“Quantas vezes já vimos esses homenzinhos caçando?”) mas o bisão, de proporções monstruosas, era simplesmente inverossímil.
O Oráculo de Delfos foi, a bem da verdade, o primeiro professor de escrita criativa respeitado de que se tem notícia. Escritores de toda parte viajavam ao ponto central da terra para ouvir o oráculo e tentar melhorar seus manuscritos. Está registrado que um dos conselhos mais proferidos era: “Deitará com a própria mãe e ficará cego aquele que separar com vírgula sujeito e verbo”.
Registros mais confiáveis indicam que a primeira escola de escrita foi fundada por Platão, assim como todas as coisas dignas de nota na civilização ocidental . Ali, entre um e outro debate peripatético sobre o uso do ponto e vírgula, Aristóteles se destacou como um jovem autor genial. Tanto que uma rixa logo surgiu. Muitos alunos exaltavam o estilo claro de Aristóteles, sua concisão e densidade, em contraponto aos diálogos aguados e pouco realistas do mentor. “Ora, Platão”, disse certa vez o aluno Fedro, “ninguém fala desse jeito.” Aristófanes achava graça da coisa toda. Foi lá que Aristóteles começou a rascunhar sua Poética, assim, preparando o terreno para que escolas literárias, ancoradas na ideia do bem escrever, fossem possíveis por séculos e mais séculos.
A questão que nós da Per Ignotius pretendemos explicar é bem simples: se os autores que estabeleceram novos padrões de linguagem estiveram quase sempre em desarmonia com o ideal de beleza corrente, de que maneira eles poderiam se beneficiar numa escola de escrita, que necessariamente repetiria mantras e regras sobre o assunto? Pois não poderiam, as experiências acabaram funcionando às avessas.
Para o bem e muito para o mal, grandes escritores foram influenciados por reuniões e discussões literárias, coletivos os mais diversos e, sim, oficinas de escrita. Compilamos a seguir alguns fatos sobre o tema e seus autores .

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