a outra me fez roer os dedos
Benette Bacellar
No caso deste livro há instantes de tranqulidade, outros de ironia e até mordacidade, tudo sempre com calma, até de contemplação, quando trata de sua condição de ser humano, ou quando trata do horror e da delícia de ser mulher.
– Claudinei Vieira | prefácio
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anjo voraz
Marco Aurélio Souza
No poema que dá título à obra, Marco Aurélio enfrenta novamente o demônio incessante da memória, este inimigo que nunca descansa, em movimento semelhante ao que ocorre em Travessia. Anjo Voraz, no entanto, não é marcado pela ternura, mas sim investiga aquilo que foi e não é mais, tudo aquilo que poderia ter sido, como bem escreveu Pessoa através de Álvaro de Campos: “O que eu sou hoje é como a umidade no corredor do fim da casa/ Pondo grelado nas paredes…/ O que eu sou hoje (e a casa dos que me amaram treme através das minhas lágrimas),/ O que eu sou hoje é terem vendido a casa,/ É terem morrido todos”
– Daniel Osiecki | prefácio
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Victor Toscano
– trecho do conto
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moedas soltas no bolso
Vitor Simon
Vamos até a praça para fumar um cigarro. A praça fica bem em frente à farmácia e tem arbustos podados em forma de animais. Sentamos em um dos bancos e Valter fica durante um longo tempo em silêncio. Por fim, fita-me e pergunta o que eu estou planejando. Respondo que pretendo viajar, ele apenas palita os dentes e recomeça a contar suas histórias. Antes das despedidas, entrego-lhe uma cópia da chave do meu apartamento e lhe peço que tome conta enquanto eu estiver fora. Sei que Valter mora com a mãe e que isso o desagrada. Informo-lhe a data de minha partida e ele pergunta para onde vou.
– Para a floresta – respondo.
Ele ri até ficar vermelho e diz que eu sou mesmo um cara muito engraçado.
– trecho do conto
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